Fruta rejeitada ganha nova vida com o projeto “FRUTotal”

Valorizar excedentes agrícolas e reduzir desperdício são os objetivos do FRUTotal, um projeto que aposta na inovação para transformar biomassa de fruta, com apoio do COMPETE 2030.
11 de Maio, 2026

O desperdício alimentar continua a ser um desafio global e o setor hortofrutícola é um dos mais afetados. O projeto FRUTotal surge como resposta direta a este problema, cofinanciado pelo Programa COMPETE 2030, para apostar na valorização de fruta rejeitada.

Em concreto, trabalha com Maçã de Alcobaça IGP e Pêra Rocha do Oeste DOP, frutos com qualidade reconhecida, mas frequentemente excluídos por calibres ou defeitos.

“O FRUTotal reúne empresas do setor frutícola, entidades técnicas e instituições de ensino superior”, explica Délia Fialho, da FRUTUS. “Promovendo a ligação entre prática agrícola e investigação científica.”

Inovação com impacto nutricional

O objetivo é claro. Desenvolver preparados de fruta enriquecidos com proteína e fibra e, para isso, a biomassa rejeitada é transformada em ingredientes de valor nutricional elevado.

Por um lado, a proteína é obtida através de fermentação e, por outro, a fibra resulta de processos inovadores de extração. Além disso, a formulação é cuidadosamente equilibrada e, assim, garante-se qualidade nutricional sem comprometer sabor, textura e aroma.

“Atualmente, não existem no mercado polpas com este perfil nutricional”, destaca Délia Fialho. “O projeto visa criar soluções inovadoras para a valorização da fruta.”

A abordagem é integrada e atua desde a pós-colheita até à transformação industrial.

Primeiro, aproveita fruta rejeitada para produção de polpas. Depois, utiliza biomassa para enriquecer esses preparados. Desta forma, reduz perdas e aumenta a eficiência da cadeia alimentar.

Além disso, promove práticas mais sustentáveis, contribuindo para a segurança alimentar e nutricional.

Ciência, indústria e mercado

O FRUTotal junta diferentes competências. É liderado pela FRUTUS, com apoio científico do IPVC – Instituto Politécnico de Viana do Castelo e da Universidade do Minho.

“A iniciativa integra também a preparação para a fase de mercado”, sublinha Délia Fialho. “Contando com parceiros estratégicos como a Sonae e a Panike.” O objetivo é levar estes produtos ao consumidor e reforçar a competitividade do setor.

O projeto posiciona-se na interseção entre inovação, nutrição e sustentabilidade para responder a consumidores mais exigentes e a mercados cada vez mais atentos ao impacto ambiental.

Ao transformar desperdício em valor, o FRUTotal contribui para uma economia mais circular. E, ao mesmo tempo, reforça o papel de Portugal na inovação agroalimentar.

 

Fonte: Compete2030

 

 

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