Projeto “CLAdvanced” utiliza IA para reforçar a deteção e previsão de doenças cardíacas

O Projeto “CLAdvanced”, cofinanciado pelo COMPETE 2030, recorre à Inteligência Artificial para melhorar a deteção, monitorização e previsão de doenças cardíacas, apoiando decisões clínicas mais rápidas e precisas.
19 de Junho, 2026

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em todo o mundo, e apesar dos avanços tecnológicos e clínicos, o diagnóstico precoce e a monitorização eficaz destas patologias continuam a ser determinantes para melhorar os resultados terapêuticos e reduzir a mortalidade.

É neste contexto que surge o Projeto CLAdvanced – CardioLife Advanced, cofinanciado pelo Programa COMPETE 2030 e promovido pela Cardiolife, em consórcio com o INESC TEC e a Cardio-On.

 

Uma nova geração de ferramentas para apoio ao diagnóstico

O projeto pretende desenvolver uma solução avançada de deteção, monitorização e previsão de doenças cardíacas através da utilização de Inteligência Artificial (IA).

A iniciativa procura responder a algumas das principais limitações dos atuais sistemas de análise de eletrocardiogramas (ECG) e exames Holter, reforçando a capacidade de apoio à decisão clínica.

Atualmente, a interpretação de ECGs e Holters exige conhecimento especializado e experiência clínica, estando sujeita a variabilidade entre observadores e à disponibilidade de cardiologistas.

O CLAdvanced pretende reduzir estas limitações através de algoritmos capazes de analisar automaticamente os exames e fornecer informação clara e fundamentada aos profissionais de saúde.

 

Diagnóstico mais preciso e previsão de patologias

Um dos principais objetivos da operação é aumentar a capacidade de identificação de patologias cardíacas complexas ou raras, muitas vezes difíceis de detetar através dos métodos convencionais.

Entre as condições visadas encontram-se síndromes como Wolff-Parkinson-White, Brugada e Ritmo Auricular Ectópico, bem como eventos cardíacos complexos, incluindo alguns tipos de enfarte do miocárdio e bloqueios avançados.

Paralelamente, o projeto aposta fortemente na componente preditiva. Através da análise de padrões subtis presentes nos ECGs, os novos modelos de IA procurarão antecipar o desenvolvimento de patologias como a fibrilação auricular, permitindo uma intervenção mais precoce e potencialmente mais eficaz.

Segundo João Pedro Leite, CEO da Cardiolife “Na Cardiolife, estamos a desenvolver uma nova geração de algoritmos de inteligência artificial para análise de ECG e Holter, com o objetivo de elevar o nosso software a um patamar de desempenho clínico que poucos players a nível europeu conseguem alcançar e fazê-lo a partir do Porto, em parceria com o INESC TEC e a Cardio-On.”

 

Monitorização contínua e integração de múltiplas fontes de dados

Outra vertente inovadora do CLAdvanced passa pelo desenvolvimento de ferramentas de monitorização de longa duração, capazes de analisar automaticamente exames Holter e identificar eventos clinicamente relevantes em grandes volumes de dados.

O projeto prevê ainda a integração de informação proveniente de diferentes dispositivos, incluindo equipamentos de consumo como smartwatches e bandas de fitness.

Esta abordagem permitirá criar sistemas de monitorização contínua e soluções de rastreio populacional, contribuindo para a deteção precoce de arritmias e outras condições cardíacas potencialmente graves.

Complementarmente, serão desenvolvidas ferramentas de visualização avançada e relatórios estruturados que permitam aos clínicos compreender facilmente os fundamentos das conclusões apresentadas pelos algoritmos, reforçando a confiança na utilização destas tecnologias.

A concretização desta ambição tecnológica e científica beneficia do apoio do COMPETE 2030, considerado essencial para acelerar o desenvolvimento da solução e reforçar a competitividade internacional da tecnologia portuguesa na área da saúde digital.

Com o CLAdvanced, o consórcio pretende contribuir para uma nova geração de soluções inteligentes de apoio à cardiologia, combinando inovação tecnológica, conhecimento científico e impacto clínico para melhorar a prevenção, o diagnóstico e o acompanhamento das doenças cardiovasculares.

Fonte: Compete 2030

 

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