Projeto “Clara-Value” transforma a clara de ovo em embalagens alimentares sustentáveis

O projeto “Clara-Value”, cofinanciado pelo COMPETE 2030, aposta na investigação e desenvolvimento de soluções inovadoras de embalagem alimentar a partir da valorização da clara de ovo.
23 de Julho, 2026

A produção de Ovos Moles de Aveiro IGP é um dos símbolos da tradição doceira portuguesa, mas gera também um desafio significativo: a utilização exclusiva da gema de ovo deixa grandes quantidades de clara sem aproveitamento.

Para responder a esta realidade, nasceu o projeto “Clara-Value”, promovido pela FABRIDOCE e cofinanciado pelo Programa COMPETE 2030, que aposta na investigação e desenvolvimento de soluções inovadoras de embalagem alimentar a partir da valorização da clara de ovo.

Segundo Rui Almeida, CEO da FABRIDOCE, “O Clara-Value nasceu de um desafio muito concreto dos Ovos Moles de Aveiro IGP e da Fabridoce em particular: Encontrar novas formas de valorizar a clara de ovo gerada no processo produtivo dos ovos moles, feitos com a gema do ovo, e transformá-la num recurso com valor económico, tecnológico e ambiental.”

Para o responsável, este projeto demonstra que “a tradição e a inovação podem caminhar juntas, desenvolvendo novas soluções de embalagem alimentar de base biológica que contribuam para a circularidade, para a redução do desperdício e simultaneamente aumentando a competitividade da doçaria conventual portuguesa.”

 

Bioeconomia e economia circular ao serviço da inovação

O projeto assenta nos princípios da bioeconomia, da circularidade e da sustentabilidade, procurando transformar um subproduto da indústria alimentar em matéria-prima para novos materiais de embalagem.

Entre os objetivos está o desenvolvimento de filmes transparentes de base natural, biocompósitos com fibras de celulose, revestimentos para papéis e produtos de celulose moldada com propriedades barreira, destinados a aplicações alimentares.

Estas soluções poderão ser utilizadas, por exemplo, nas embalagens dos próprios Ovos Moles de Aveiro IGP, bem como noutras aplicações no setor alimentar.

Além de reduzir o desperdício, esta abordagem pretende criar novas oportunidades de valorização económica da clara de ovo, contribuindo para equilibrar os custos de produção de um setor fortemente dependente da gema como matéria-prima.

 

Um consórcio multidisciplinar para criar soluções de futuro

Para concretizar esta visão, a FABRIDOCE lidera um consórcio que reúne empresas, entidades do sistema científico e parceiros estratégicos, combinando competências nas áreas da produção alimentar, materiais, papel e bioplásticos.

Esta colaboração permite desenvolver soluções inovadoras que cumpram os exigentes requisitos de segurança e desempenho exigidos pelas embalagens alimentares.

Rui Almeida destaca igualmente a importância do financiamento europeu para tornar esta ambição possível: “O apoio do COMPETE 2030 é determinante para acelerar este percurso de investigação e desenvolvimento, permitindo reunir empresas e entidades científicas altamente especializadas no consórcio, como a Biopol, a Universidade de Aveiro, o RAIZ, e parceiros como a APOMA, a Derovo e a The Navigator Company em torno de um objetivo comum: transformar um subproduto (clara de ovo) numa oportunidade para criar novos materiais, novos produtos e novas perspetivas de mercado.”

 

Mais sustentabilidade para a indústria agroalimentar

Ao desenvolver materiais de base biológica capazes de substituir soluções convencionais em plástico, o projeto Clara-Value contribui para reforçar a sustentabilidade ambiental e a competitividade da indústria agroalimentar portuguesa.

A valorização da clara de ovo permite promover um modelo de produção mais eficiente, reduzindo desperdícios e criando novas cadeias de valor assentes na inovação e na economia circular.

Fonte: Compete2030

 

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