O projeto NanoBioEscudo, cofinanciado pelo COMPETE 2030, está a desenvolver uma nova geração de aditivos para revestimentos marítimos, combinando moléculas bioinspiradas e nanotecnologia para aumentar a proteção de estruturas submersas e reduzir o impacto no ambiente marinho.
A bioincrustação resulta da acumulação de organismos em superfícies submersas e pode aumentar o peso e o atrito de navios e infraestruturas, elevando o consumo de energia e as necessidades de manutenção. A substituição regular dos revestimentos representa ainda custos e períodos de inatividade para os seus proprietários.
Para responder a este desafio, o NanoBioEscudo aposta em moléculas bioinspiradas com propriedades antifouling, imobilizadas em materiais nano e biomateriais que permitem controlar a sua libertação ao longo do tempo. A solução procura, assim, prolongar a eficácia dos revestimentos e reduzir o risco associado à libertação precoce dos biocidas utilizados nas soluções convencionais.
Nas palavras de Frederico Maia, Diretor Geral da Smallmatek – Small Materials and Technologies, pretende-se criar “uma espécie de escudo para limitar a proliferação da bioincrustação marinha”, conciliando o desempenho antifouling com a sustentabilidade ambiental e procurando evitar efeitos sobre organismos marinhos não-alvo.
Ciência e empresas juntam competências
O projeto reúne quatro parceiros com competências complementares. A Smallmatek, enquanto empresa promotora, aporta conhecimento em nanotecnologia e revestimentos, enquanto a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto contribui com experiência em bioprospeção e síntese de moléculas bioinspiradas protegidas por patente.
A Universidade de Aveiro participa nas áreas da síntese e caracterização de materiais biogénicos, microbiologia e ecotoxicologia, cabendo ao CIIMAR avaliar a eficácia antifouling, tanto em ambiente laboratorial controlado como em condições reais.
Esta colaboração permite acompanhar as diferentes etapas de desenvolvimento da solução, desde a criação das moléculas à sua incorporação nos revestimentos, incluindo a avaliação da eficácia, do impacto ambiental e da ecotoxicidade.
Mais proteção com menor impacto ambiental
Uma proteção mais duradoura poderá traduzir-se em menos intervenções de manutenção, menor tempo de inatividade e redução dos custos associados à substituição dos revestimentos.
Ao limitar a acumulação de organismos nas superfícies submersas, a tecnologia poderá também contribuir para reduzir o peso e o atrito das estruturas marítimas e, consequentemente, diminuir o consumo energético necessário à sua operação.
O apoio do COMPETE 2030 permite ainda reduzir o risco associado ao desenvolvimento de uma tecnologia com baixo nível de maturidade tecnológica e aproximar as competências das empresas e do meio académico.
O NanoBioEscudo procura, desta forma, transformar conhecimento científico e nanotecnologia numa solução mais eficiente e sustentável para o setor marítimo, com o objetivo de proteger melhor as estruturas, durante mais tempo e com menor impacto ambiental.
Fonte: COMPETE 2030

